A biodiversidade da região de Alta Floresta: experiência dos acadêmicos de Ciências Biológicas

A biodiversidade da região de Alta Floresta abriga uma variedade de recursos fitogenéticos de importância econômica, destacando-se os recursos florestais, ornamentais e alimentícios. Nesse contexto, a botânica econômica age como o ramo da ciência que identifica o potencial econômico da diversidade vegetal de uma região para um uso sustentável desses recursos.

Assim, uma das formas de valorizar nossa biodiversidade é descobrindo o valor econômico que as plantas fornecem para a população. Nas disciplinas de Botânica Econômica e Gestão e Políticas Ambientais do curso de Ciências Biológicas da Unemat de Alta Floresta, visa-se ao reconhecimento de recursos genéticos e sua exploração sustentável, além do conhecimento de novas formas de conservação e recuperação de ambientes que abriguem tal diversidade genética. Como já é sabido, Alta Floresta é rica em recursos florestais, sendo inicialmente explorada no comércio de madeira e na produção de cacau; porém, a primeira se mostrou pouco sustentável, chegando a reduzir a área de cobertura florestal da região.

Nesse sentido, os alunos de Biologia devem ter a capacidade de detectar e reconhecer novas formas do uso do recurso florestal, excluindo o uso madeireiro. Assim, na nossa aula de campo abordamos sistemas sustentáveis de exploração desse recurso, como os SAFs (sistemas agroflorestais) utilizados na produção de cacau e cupuaçu, recursos muito valorados no mercado. Os SAFs, além de produzirem um recurso altamente econômico, colaboram enormemente no aumento da cobertura florestal em ambientes degradados, já que são plantados em consórcio com espécies arbóreas como jenipapo, teca, cedrinho-cuiabano, palmeiras, angelim-saia, etc., as quais lhe brindam o sombreamento necessário que o cacau precisa para seu desenvolvimento.

Os acadêmicos puderam observar como é o processo de implantação de um SAF, começando com o plantio de banana nas áreas abertas para posteriormente adicionar as espécies arbóreas - entre elas, o cacau. O olhar dos acadêmicos manteve-se atento não só na produção, mas também no visual que o SAF exibe, o que alguns denominam floresta plantada ou agroflorestal. Na segunda parte da aula, os alunos puderam conhecer recursos florestais em pé dentro da reserva legal do CEPLAC, destacando-se os indivíduos da castanheira que eram frequentes na área. Além disso, aprenderam a identificar características comerciais de espécies arbóreas de grande porte e a forma de estimar a biomassa aérea e sequestro de carbono dessas espécies. O sequestro de carbono é uma forma de medir a importância e serviços ambientais que as florestas nos brindam. Ainda, na atualidade isso também gera lucro para produtores que aderem a essa iniciativa de conservação por meio dos créditos de carbono. Grandes exemplos na nossa região são os Projetos de Poço de Carbono do Juruena e da ONF Brasil na Fazenda São Nicolau, onde será realizada a próxima aula de campo da disciplina Botânica Econômica.

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