Unemat desenvolve teste rápido para identificar nematóides em lavouras de soja
Pesquisa em Nova Xavantina utiliza diagnóstico molecular para detectar pragas que causam prejuízos bilionários ao setor produtivo de Mato Grosso
Por Nataniel Zanferrari
08/04/2026

Nematóides são vermes microscópicos que vivem no solo e se alimentam exclusivamente de plantas; embora existam milhares de espécies de nematóides benéficos ao ecossistema, os nematóides fitoparasitários são especializados em atacar raízes, caules e folhas, sendo uma das principais causas de perdas agrícolas no mundo. Por esse motivo, pesquisadores da Unemat em Nova Xavantina desenvolvem uma ferramenta de diagnóstico rápido para identificar os nematóides fitoparasitários na soja.
O projeto está criando um sistema que lê o DNA da terra e consegue identificar, de forma rápida e precisa, várias espécies de vermes inimigos da soja em um único exame de laboratório.

O teste utiliza duas técnicas: metagenômica e qPCR. A metagenômica é como tirar uma ‘foto panorâmica’ do DNA de todos os organismos que vivem em uma amostra de solo. Em vez de procurar um nematoide por vez, os cientistas analisam a comunidade inteira para entender quem está lá. Já o qPCR (sigla em inglês para teste quantitativo de reação em cadeia da polimerase em tempo real) é uma técnica de alta precisão que ‘fotocopia’ o DNA de um organismo até que ele se torne visível para o computador. O ‘tempo real’ significa que o cientista consegue ver a praga aparecendo na tela enquanto o teste acontece, permitindo saber não só quem é o nematoide, mas quantos deles existem na amostra.
O teste é multiplex, ou seja, possui a capacidade de rodar vários testes ao mesmo tempo em um único tubo de ensaio: ao invés de fazer um exame para o nematoide A, outro para o B e outro para o C, o multiplex detecta todos de uma vez só. A inovação substitui métodos morfológicos tradicionais, que são lentos e suscetíveis a erros humanos, por um sistema de alta precisão genética.
A pesquisa foca em espécies agressivas como Heterodera glycines (conhecido como nematóide de cisto da soja), Meloidogyne javanica (nematóide das galhas) e Pratylenchus brachyurus (nematóide das lesões), que ameaçam a sustentabilidade da cultura da soja em Mato Grosso.
Ao decifrar a 'identidade genética' específica dos vermes que vivem nas fazendas de Mato Grosso, a universidade constrói um banco de dados molecular inédito. O mapeamento permite a detecção precoce das pragas, facilitando o manejo integrado e reduzindo as perdas econômicas, estimadas em bilhões de reais por safra.

PESQUISADORES
O avanço é resultado das pesquisas desenvolvidas por pesquisadores do AraguaiaBiotech, laboratório de Inovação Biotecnológica especializado em genômica e biotecnologia em Nova Xavantina.
A pesquisa é fruto do trabalho elaborado pelo pesquisador Wigis Pereira Peres, biólogo formado pela Unemat, mestre em Imunologia e Parasitologia Básicas e Aplicadas pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e cursando doutorado em Biodiversidade e Biotecnologia pela Rede Pró-Centro-Oeste, da qual a Unemat faz parte. Wigis é orientado por Joaquim Manoel da Silva, professor da Unemat, doutor em Genética e Biologia Molecular e coordenador do AraguaiaBiotech, que atua tanto na Rede Pró-Centro-Oeste quanto no Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação (PPGEC), programa institucional da Unemat.

A Rede Pró-Centro-Oeste é formada por instituições de ensino e pesquisa dos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e do Distrito Federal, suas respectivas secretarias de estado de ciência e tecnologia e fundações de amparo à pesquisa. A Rede desenvolve o Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Biotecnologia em Mato Grosso (PPGBBMT), que oferta doutorado acadêmico em rede em diversas cidades do Estado, conquistando Conceito 4 na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O doutorado abrange três linhas de pesquisa: ciência, tecnologia e inovação para sustentabilidade da região Centro-Oeste; bioeconomia e conservação dos recursos naturais; e desenvolvimento de produtos, processos e serviços biotecnológicos.
Já o Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação (PPGEC) possui conceito 5 na Capes e oferece mestrado e doutorado acadêmicos no Câmpus Universitário de Nova Xavantina, com quatro linhas de pesquisa: Ecologia de sistemas e comunidades terrestres; Conservação da biodiversidade; Ecologia e padrões biogeográficos; e Ecologia de sistemas e comunidades de áreas úmidas.
INVESTIMENTOS EM INOVAÇÃO BIOTECNOLÓGICA

A Unemat avança na pesquisa de alta complexidade com a expansão do AraguaiaBiotech, que recebeu recentemente um aporte de R$ 4.639.837,31 dos governos Estadual e Federal. Com a nova infraestrutura, a Unemat consolida um polo de biotecnologia no interior de Mato Grosso, conectando o sequenciamento de DNA diretamente às demandas de produtores rurais e empresas de sementes.
A unidade agora integra dados genéticos às características observáveis, permitindo identificar respostas de plantas e microrganismos ao ambiente. O objetivo é fornecer mais soluções para o setor produtivo, como a prospecção de bioinsumos e o diagnóstico preciso da saúde do solo.
Diferente do sequenciamento convencional, a nova estrutura foca no pós-sequenciamento, etapa que valida e interpreta o DNA para aplicações práticas. A tecnologia permite que a Universidade atue como prestadora de serviços tecnológicos para produtores rurais, unindo o monitoramento dos biomas Amazônia e Cerrado à produtividade sustentável de Mato Grosso.
A iniciativa garante a descentralização do conhecimento científico, formando especialistas em biologia molecular e bioinformática fora dos grandes centros. Com o novo suporte tecnológico, a Instituição aumenta a capacidade de resposta a problemas reais do campo, como a adaptação de culturas às variações climáticas e a busca por alternativas biológicas aos insumos químicos.

“Quando você cria infraestrutura, cria também um ambiente: atrai projetos, amplia redes, forma pessoas e aumenta a capacidade de responder rápido a problemas reais. É isso que estamos construindo”, afirma o coordenador do AraguaiaBiotech, Joaquim Manoel da Silva.
O salto tecnológico é viabilizado pelo aporte de R$ 4,6 milhões, fruto de parceria entre a Universidade, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
A iniciativa faz parte da estratégia de modernização da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PRPPG) da Unemat: o objetivo é converter o conhecimento acadêmico em prestação de serviços tecnológicos, garantindo que a ciência produzida na Unemat auxilie na manutenção de Mato Grosso como líder nacional na produção de grãos com sustentabilidade e soberania tecnológica, consolidando Mato Grosso como referência em tecnologias verdes e inovação biotecnológica.
Assessoria de Comunicação - Unemat
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